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Os herdeiros de Bud Fox

Tempos atrás a revista Exame trouxe, em seu “Painel Executivo”, uma discussão instigante sobre como é e como poderia ser a integração entre diferentes gerações de profissionais, destacadamente entre a “Geração Y” – nascida na década de 1980 – e as que a precederam.

Mas afinal, o que tem de tão diferente a Geração Y? Para ajudar a responder esta pergunta, vale à pena assistir ou rever o filme Wall Street de Oliver Stone, rodado no final dos anos 80. Nele o ator Charlie Sheen interpreta Bud Fox, o corretor da NYSE que deseja subir rápido e sem escalas até o topo de sua carreira e, para conseguir seu objetivo, aproxima-se de Gordon Gekko, raposa velha do mercado vivido por Michael Douglas. No enredo e nos personagens de Stone é possível ver claramente várias das características que iriam marcar uma classe social à época apelidada de yuppie – termo que denotava ambição exacerbada, muita pressa para subir na vida, competência profissional e fortes ímpetos consumistas. Pois bem, os yuppies de lá - e também os de cá – casaram, tiveram filhos e estas crianças formaram a Geração Y que, da anterior, herdou a pressa e a autossuficiência que tanto incomodam os mais velhos.

No filme, Bud Fox termina vendo sua ansiedade ameaçar com a ruína a empresa de aviação em seu pai fizera carreira durante longos anos. Hoje, no entanto, jovens carregados de energia, mais preparados e mais informados do que seus pais jamais poderiam sonhar ser possível, convivem com uma geração mais prudente, porém muito mais dinâmica que as precedentes. Da combinação destes profissionais será possível extrair resultados surpreendentes para quem quase quebrou o planeta, senão vejamos:

  • A pressa e o imediatismo são atributos naturalmente carregados de muita energia criadora, ainda que em estado um pouco caótico. Dar um norte e estabelecer alguns limites de segurança a toda essa energia é tarefa dos mais experientes que, para tanto, contam com ferramentas e vivência de sobra para extrair dos mais moços todo seu potencial e, ao mesmo tempo, prevenir a ocorrência de tsunamis.

  • A frustração dos jovens com o que entendem ser uma demora excessiva para galgar posições mais elevadas decorre, entre outras razões, da necessidade de compor um patrimônio que os habilite a participar da onda consumista que se instalou nos últimos 20 anos. Mais uma vez, é perfeitamente possível canalizar este sentimento para promover a recuperação das empresas e da economia. Aplicar as melhores técnicas de desenvolvimento de pessoas é missão dos mais velhos, orientando carreiras e instituindo mecanismos de remuneração que recompensem o mérito ao mesmo tempo em que incentivem a formação de poupança.

  • A natural acomodação dos mais velhos tende a ser sacudida quando confrontada com a impaciência e a velocidade de ação dos jovens profissionais. Sua surpreendente capacidade de absorção e uso de novos conhecimentos e informações, permanentemente alimentada por impressionantes recursos tecnológicos, pode dar nova motivação a um grupo de pessoas que ainda tem muito a contribuir para com a sociedade. Construir estruturas empresariais que sejam permanentemente inovadoras e que favoreçam intensa troca de informações é um extraordinário desafio. Deverá ser vencido em conjunto. Por todos. Não importa a idade.

 

A crise por que passamos carrega consigo a oportunidade inédita de reunir diferentes gerações em um ambiente pleno de tecnologias que permitem a criação de redes de conhecimentos capazes de aproximar pessoas e somar experiências. Além disso, parece que a distância entre as gerações ficou menor que antes: os pais da Geração Y nasceram na época de Elvis e hoje vão com os filhos aos concertos de rock. Ainda que todo esse diálogo não tenha sido suficiente para evitar tantos problemas, certamente o será para promover as soluções.

 

Talvez ... Se Bud Fox tivesse 25 anos nos dias de hoje ...

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